Muse – The Resistance (2009)

Antes de mais nada, caros leitores, já lhes aviso: Meu conhecimento relacionado à música é similar ao de cinema: O adquiri apenas como consumidor. Ainda nesse tema, compartilho aqui de uma curiosidade: Até aproximadamente meus 12 anos, meu gosto musical era ínfimo. Graças principalmente ao meu pai, que me apresentou ao que eu gosto de chamar de “música que presta”, eu tive o imenso prazer de conhecer Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath, Pink Floyd e, a partir daí, uma infinidade de outras bandas.
Os anos passaram, infinitas coisas aconteceram, e chegamos ao dia de hoje. Chegamos à resenha do álbum The Resistance, da banda inglesa Muse – uma das favoritas do Artilheiro que vos escreve. À seguir, vocês encontrarão uma análise faixa-a-faixa do álbum lançado em setembro desse ano.
As Músicas.
1. Uprising
A música de abertura traz a marca registrada da banda: A voz estonteante de Bellamy, que consegue deslizar por graves e agudos em questão de segundos, como sempre nos traz um tema sombrio e misterioso (o refrão “Eles não vão nos forçar/Eles irão parar de nos humilhar/Eles não vão nos controlar/Nós seremos vitoriosos” sugere uma revolução, a fuga das autoridades e uma possível conspiração). As guitarras são gritantes, e o baixo – tocado por um dos melhores baixistas da atualidade, o fantástico Christopher Wolstenholme – aparece, assim como nos outros álbuns, como um dos elementos principais da canção.
2. Resistance
Ser a melhor música em um álbum como esse não é tarefa fácil. Resistance, porém, consegue fazer isso com louvor. A segunda música do álbum tem início com elementos eletrônicos, teclado e bateria. Depois do primeiro minuto, a voz de Bellamy nos é apresentada e, como de costume, causa calafrios. A letra mantém-se na paranóia (destaque aqui para os versos iniciais: “Será que nosso segredo está seguro esta noite?/Nós estamos fora de vista?/Ou será que nosso mundo está desmoronando?/Será que descobriram nosso esconderijo?”), mas, dessa vez, o tema principal foca-se no amor (“O amor é nossa resistência” é o verso que dá início ao refrão). A letra, porém, não é o que encanta na música. Primeiramente, a bateria está impecável. As batidas aceleram-se quando precisam, e nos momentos necessários ficam mais lentas, quase que acompanhando ao mesmo tempo o compasso do baixo. Vale destacar o trecho em que baixista e baterista fazem um backing vocal conjunto, enquanto Bellamy canta sempre quando a frase dos companheiros termina. Resistance tem tudo aquilo que uma música boa precisa: Sincronia, timing, uma letra bela, uma melodia viciante e a voz de um dos melhores vocalistas das bandas atuais.
3. Undisclosed Desires
Eis aqui uma inovação da banda britânica. A música é quase tão dançante como Supermassive Black Hole (um hit desgastado, graças à minha saga favorita (NOT!), Crepúsculo), mas dessa vez traz mais elementos R&B do que da música eletrônica vista em Supermassive. O baixo toma a frente, acompanhando singela, porém imponente, a bateria. Bellamy disse que a música trata de sua relação com sua namorada, o que foge bem do tema principal do álbum em si. Aqui, a letra é o que menos importa: A batida é deliciosa o suficiente pra te fazer fechar os olhos e simplesmente curtir o som.
4. United States of Eurasia
Eis a música que, junto com Resistance, figuram no topo do álbum. United States of Eurasia tem, de longe, a letra mais bonita e instigante de todo o CD (destaque, dessa vez, para os versos “Essas guerras, elas não podem ser vencidas(…)/Porque dividir esses territórios, quando deveria existir apenas um?/E essas guerras; elas não podem ser vencidas/Será que alguém sabe ou se importa em saber como elas começaram?). Novamente os backing vocals entram em ação; a sincronia dos integrantes e a produção é tão perfeita que os entusiastas lembrarão-se de Bohemian Rhapsody, do Queen. O que realmente chama a atenção aqui, porém, é a melodia. Em instantes, ela te faz querer levantar e começar uma nova revolução. Em instantes, porém, te dá vontade de recostar na cadeira e relaxar. No fundo, a letra refere-se ao megacontinente formado por Europa, África e Ásia, e todas as disputas (sejam essas políticas, sociais ou econômicas) que envolvem o conglomerado de países. Vale destacar que, quando a música aproxima-se do 4º minuto, inicia-se um solo de piano inspirado em uma composição de Chopin.
5. Guiding Light
Guiding Light, a 5ª faixa do álbum, tem uma melodia que te dá calafrios do começo ao fim. Apesar da letra melancólica, também ligada à amor e separação (mas não pense que isso é tratado de maneira melosa), a melodia te faz pensar que é uma música que trata de superação (quase como Invincible, do álbum Black Hole and Revelations). Dica do Artilheiro: Preste exímia atenção à partir do 2º minuto da música: O solo de guitarra executado por Matthew Bellamy é explicitamente parecido com os que Brian May, guitarrista do Queen, costumava fazer. Da primeira vez que ouvi este solo, fiquei paralizado com tamanha beleza.
6. Unnatural Selection
O início da música é ditado por um órgão, e pela voz de Bellamy. Mas não engane-se: Depois dos primeiros 30 segundos, a bateria e o baixo já dão as caras, mostrando que essa será mais uma balada dançante da banda inglesa. Como não podia deixar de ser, a letra fala de revolução, critica políticos e religião, e volta a frisar a importância de cada indivíduo – que, como a própria letra diz, não é só uma gota de água no oceano.
7. MK Ultra
A letra é pesada e vai totalmente de encontro à faixa anterior; enquanto Unnatural falava de vitória e superação, MK Ultra trata de mentiras, decepções e derrotas. A música alterna diversas vezes entre as batidas rápidas do baterista Dominic Howard, e a voz – desta vez, incrivelmente suave – de Bellamy. A música mais fraca do álbum é, ainda assim, uma bela canção.
8. I Belong to You (+Mon Cœur S’ouvre à Ta Voix)
A mais clássica das músicas do álbum, I Belong to You é guiada essencialmente pelo piano; tem a letra mais simplória, e a melodia também não é tão bem trabalhada; engana-se, porém, quem pensa que essa é a música mais simples de The Resistance. Ao aparente final da música, Bellamy começa a recitar um trecho de Mon Coeur S’ouvre à Ta Voix (Meu Coração se Abre ao Som da Sua Boz, uma famosa ária francesa)
9, 10, 11. Exogenesis: Symphony Part I (Overture), II (Cross Pollination) e III (Redemption)
O álbum se encerra com uma composição orquestral. Uma sinfonia. Exogenesis é uma obra-prima que ultrapassa os 12 minutos de duração, se somadas. Para fazerem o efeito necessário e mostrarem para que vieram ao fim do álbum, precisam ser ouvidas seguidamente, sem pausa alguma. A Parte I começa quase que inaudível, tímida. Bellamy, porém, nos instiga com seu timbre agudo e, acompanhado de seu impecável piano, nos faz viajar para muito longe nesta primeira parte que oscila entre o calmo e o desvairado. A Parte II é mais calma, tendo seu primeiro minuto todo sendo guiado pelo teclado; o resto da música, porém, é tão bem-produzida que nos faz esquecer que aquela é uma composição quase orquestral. A “metade” da música é tomada por uma saraivada de instrumentos, um mais potente que o outro, para chegar à seu fim da mesma maneira que havia começado: Com o piano.
É deste modo, aliás, que a Parte III tem início. Os vocais de Bellamy só chegam aos nossos ouvidos, aliás, depois dos dois primeiros minutos de música. Antes, o que temos é um show de piano naquela que é a melhor das três partes da canção.
Depois de dissecar The Resistance, não me resta muito a dizer: Eles conseguiram de novo. Conseguiram a superação de uma banda que já havia conquistado um mar de fãs com seus três primeiros álbuns. Conseguiram impressionar a crítica, que entitulou o CD de “clássico e ousado”. Se os músicos da banda britânica precisavam provar seu talento para mais alguém, não precisam mais.
O único conselho que o Artilheiro pode lhes fornecer? Dêem um jeito de ouvir The Resistance o mais rápido possível. Mas, tomem cuidado: Como tudo aquilo que é bom demais, vicia.
Laurel Canyon (2002)

Dentre os lançamentos do gênero drama no inicio da década de 2000 tivemos grandes surpresas – péssimas surpresas, e um genero que começava a se tornar esteriotipado por atores aleatórios para os mesmos papéis. Só se mudava o local por assim dizer.
Com essa premissa, analisei de nariz torto esse titulo: Laurel Canyon; e sua tradução: Rua das tentações. Inspirava-me um outro dramalhão americano com cenas de sexo falso, violencia apelativa, protagonizado por uma musa do cinema, algum xerife mandão de bigode e algum amante psicopata.
Nos créditos inicias, vi o nome de dois atores que me causaram náuseas. Cristian Bale e Kate Beckinsale, o Batman e a Aeon Flux. Aviso logo que Kate está entre minhas musas do cinema atual, e Bale é um dos mais vesáteis atores da escola americana. Mas o que eles fariam juntos num dramalhão com um nome desses? Fariam vidrar meus olhos, e muito.
A história gira em torno do relacionamento de Sam (Bale) e Alex (Kate) que estão prestes a se casar. Mas precisam de um lugar para ficar, e começar a estabilizar suas vidas – o que na verdade é apenas um pretexto para adiar o casamento e seus anseios quanto ao futuro incerto. Contudo, Sam leva Alex para conhecer e em seguida passar um tempo com sua mãe, a dona do pedaço, produtora musical e simbolo sexual Jane (Frances McDormand). A casa está de pernas para o ar pois além de ter como anfitriã uma figura irresponsavel como Jane ainda serve de estúdio para o novo albúm de uma de suas bandas. Alex precisa terminar sua pesquisa na área médica em que tem de decifrar códigos enquanto Sam atua como residente num hospital próximo. Enquanto Alex tenta se concentrar na pesquisa e Jane tenta gravar um album – pode sentir a tensão? Ao passo que Sam conhece Sara, vivida por Natascha McElhone: a destuidora de lares, de familias e contas bancárias. Nota-se então a fragilidade da relacão imatura do casal Sam e Alex dentre tantos conflitos.
Você, como leitor do AC e apreciador do cinema não pode deixar de ver o filme pelo simples fato: Se por um raro motivo desconhecido por mim não goste de Bale e sua vesatilidade como ator (depois dele ir de “O maquinista” a “Batman, o cavaleiro das trevas”) ou achar que Kate Beckinsale não é atração o suficiente para alguns 103 minutos de vida, ou que o enredo nao lhe agrada, respire fundo e veja Natascha McElhone atuar e devastar qualquer requisio de bom rapaz que existe em voce. Os diálogos e as provocações que ela faz acerca de Sam são tão reais e precisas que se perde o ar.
No mais, a direçao é de Lisa Cholodenko, muito conhecida no meio do cinema alternativo (sim, é um filme considerado alternativo para derrubar de vez minha premissa) mas que só tem esse filme passando pelo mainstream. A capa do filme tem um formato que é bem conhecido dos fãs de videogame.
Nota: 7,0
Título original: Laurel Canyon
Lançamento: 2002 (EUA)
Direção: Lisa Cholodenko
Duração: 103 min
Elenco: Frances McDormand, Christian Bale, Kate Beckinsale, Natascha McElhone, Alessandro Nivola.
Gênero: Drama/Alternativo
As 10 Músicas Mais Gostosas
De uma coisa todo mundo sabe. A música tem capacidades distintas que, quando expostas com o dado momento que é ouvida, pode ajudar a transformar uma atitude ou até esboçar-nos um sorriso. Além disso, quando se trata de boa música – seja que gênero for, não perdamos aqui experiências por puro preconceito -, ela nos desperta sensações diferentes e, em ocasiões distintas, fazem-se diferentes para nossos ouvidos. Assim podemos tratar a experiencia da boa música como uma viagem possibilitada de vários angulos e fomas diferentes para se escolher.
Esse fato me fez organizar, numa apresentação em TOP 10, as músicas mais deliciosas de se ouvir. Seja pelo riff da guitarra ou pelo back vocal: não importa. Todas estas canções tratam nossos ouvidos com tanto carinho que chegamos a fechar os olhos e esquecer boa parte – ou todos – os martírios.
10 – There There – Radiohead
Aumente o volume e feche os olhos. A voz de York só vai surgir quando for preciso. No mais a levada da bateria acompanhada dos riffs da guitarra criam um ambiente delicioso. A faixa, em momento algum, sobe o volume.
9 – The Girl – City and Colour
Veja o vídeo, mas baixe sem tardar a música no formato .mp3. A faixa do albúm Forgive Me assinado por Dallas Green causou uma grande exaltação, principalmente na internet. O artista canadense, guitarrista da banda de Post-HC Alexisonfire concentrou toda sua poesia e aquele belíssimo timbre vocal nesse trabalho. A música em questão ‘The Girl’ tem uma letra singela e sincera, junto a pegada dançante e encantadora.
8 – Woman no cry – Bob Marley
A poesia de Bob Marley se propagou pelo mundo através do reagge, um ritmo que, por si, causa uma sensação de relaxamento e ao mesmo tempo dançante. Com a parte sensorial garantida pelo estilo musical, não resta falar mais nada. Você muito provavelmente ja ouviu esta faixa, mas talvez não por essa ótica.
7 – Morena – Los Hermanos
Faixa já citada em uma playlist aqui por mim. Cabe dizer que esta é a música mais completa que os cariocas do Los Hermanos fizeram. Tem uma produção graciosa que tratou dos mínimos detalhes sonoros, batidas acentuadas, baixo e graves ecoando e principalmente esse riff, quase que acidental e belo que Rodrigo emite de sua guitarra durante toda a música.
6 – Sereia – Lulu Santos
A canção, por certo, é nostalgica para a maioria dos leitores. Além de ser a prova de que a levada etiquetada hoje de SURF MUSIC já caminhava por aqui, interpretada por artistas como Lulu Santos. A música é clássica e deliciosa a ponto de acabar rápido demais (qualidade importante desse quesito).
5 – Você é linda – Caetano Veloso
“Choque entre o azul e o caixo de acácias.” A versão não-acustica (diferente da presente no vídeo) é ainda mais terna pelo fato de ter uma guitarra que segue no tom do assobio que o baiano ensaia no início da canção.
4 – Eu te amo – Gal Costa (Caetano Veloso)
A canção, assinada por Caetano Veloso, só ganhou tal proporção (um quarto lugar aqui) por ser conduzida pela voz de Gal Costa no disco Doces Bárbaros. Gal atinge um tom inacreditavelmente belo enquanto a música, por si só, ja dá conta de ser uma delícia.
3 – Tied down – Colbie
Reggae dançante de pés descalços na areia, batidas leves que lembram o vai-e-vem do mar e a voz mais gostosa do atual mundo da música. É assim que Tied Down, de Colbie Caillat leva medalha de prata. A música chega a transgredir a audicão e começar a fazer-se sentir no tato.
2 – I’m yours – Jason Mraz
A mais nova clássica canção do surf music. Ressucitemos o ditado que diz: Se é bom, faz sucesso. Despindo-se dos preconceitos a música de Jason Mraz chega a ser instintiva. São nossos instintos que são acariciados de forma que é inevitável ter os olhos vidrados quando aquele riff (“parã pã”) começa a soar.
Obs: O segundo vídeo é muito melhor interpretado.
1 – Latest Trick – Dire Straits
É a música que resume toda a intenção do post. O número um do pódio é do Dire Straits por inúmeros motivos: o carinho como soa e trata nossa audição, esse sax e esses solos de guitarra. O tempo passa e eles não perdem fãs, só ganham mais e mais admiradores. Fãs de boa música, e de músicas gostosas de se ouvir.
Especial Estréias do Cinema 2010 – Fevereiro
Sem muito #mimimi dessa vez, Artilheiros, vamos ao que interessa: Os filmes que – vale frisar – nos Estados Unidos, terão sua estréia em Fevereiro e Março.
Fevereiro
O Lobisomem

O nobre Lawrence Talbot (Benicio Del Toro) retorna para seu lar, onde descobre que seu irmão está desaparescido e que moradores locais estão sendo assassinados por uma besta noturna. Na busca pelo irmão, Lawrence reencontra seu pai (Sir Anthony Hopkins), e o aproxima da noiva do próprio irmão (Emily Blunt). Lawrence descobrirá, porém, algo que o próprio nunca imaginou existir.
Trailer:
Estréia: 12 de Fevereiro
Opinião do Artilheiro: Finalmente um filme que traz um Lobisomem de verdade (Lua Nova, eu estou olh… ah, deixa quieto). O elenco é fantástico, a trama é bem amarrada, o trailer já te deixa com vontade de assistir o filme. Meio difícil que dê errado, hein? O Lobisomem é, sem sombra de dúvidas, o blockbuster de fevereiro.
Idas e Vindas do Amor

Pare e olhe para a imagem. Agora realize que o diretor do longa Valentine’s Day (com aquele nome ridículo acima) é o mesmo de Uma Linda Mulher. Com um elenco repleto de estrelas (como Julia Roberts, Jessica Alba, Bradley Cooper, Patrick Dempsey, Anne Hathaway, Jennifer Garner, Ashton Kutcher, Jessica Biel, Taylor Lautner e Taylor Swift entre muitos outros) e uma direção de alguém que praticamente tem PhD no quesito faça mulheres suspirarem, o filme promete ser um Ele Não Está Tão Afim de Você melhorado. Na história, diversas histórias de amor se cruzam, das mais variadas maneiras e dos mais variados tipos.
Trailer:
Estréia: 12 de Fevereiro
Opinião do Artilheiro: Eu gostei muito de Ele Não Está Tão Afim de Você; como dito acima, aparentemente esse filme seguirá caminhos parecidos, intercalados também com “Simplesmente Amor” (comparação feita pelo twitteiro e amigo @ghizellini). Provavelmente o filme irá angariar uma bilheteria considerável, levando em conta o elenco repleto de estrelas e o fato de ser uma comédia romântica cujo lançamento se dará no Dia dos Namorados norte-americano. Dica? Não vá sozinho, ou correrá o risco de sentir-se meio mal frente à tantos casais.
A Ilha Do Medo

Martin Scorcese dirige, pela 4ª vez, Leonardo DiCaprio em um filme ambientado em 1954. DiCaprio é um policial federal que investiga a fuga de uma assassina em um hospital psiquiátrico. No hospital, porém, há mais do que se pode imaginar.
Trailer:
Estréia: 12 de Fevereiro
Opinião do Artilheiro: Scorcese e DiCaprio nunca conseguem me desagradar. Nunca. Como podemos ver através do trailer, o thriler psicológico e policial deve render mais que bons sustos: Provavelmente nos colocará para pensar e tentar decifrar toda a história. Vale frisar a ascenção de DiCaprio como ator. Estereotipado por muito tempo como “o Jack de Titanic”, DiCaprio amadureceu e provou para a crítica que é um dos maiores de sua geração. A Ilha do Medo é, depois de Lobisomem, minha maior aposta para o segundo mês do ano.
Em seguida, no Especial Estréias do Cinema 2010: Johnny Depp fazendo o que melhor sabe, Robert Pattinson parando de brilhar por alguns instantes e Nicolas Cage mexendo com bruxaria.
Avatar
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Nunca fiz oficina de cinema. Curso Jornalismo, não Audiovisual ou Radio&TV. Todo o gabarito que eu tenho para falar de cinema, veio do próprio cinema. Da própria telona, dos VHS’s que depois transformaram-se em DVD’s, das Sessões da Tarde que transformaram-se em maratonas na HBO. O que sei sobre atuações, aprendi com Marlon Brando em O Poderoso Chefão, com Martin Sheen em Apocalypse Now, com Brad Pitt em Clube da Luta, com Heath Ledger em O Cavaleiro das Trevas. Baseado apenas em experiências como espectador, relacionado à sétima arte, que falo dela. Não falo como um estudado, tampouco como um estudante. Falo como um fã de cinema, para fãs de cinema.
Posto isso, venho lhes dizer que sempre olhei torto para Avatar (EUA, 2009). Geralmente um filme superesperado também acaba sendo superestimado, e o resultado final pode ser decepcionante. Geralmente, eu vou despido de expectativas para assistir um filme assim. 2008 e 2009, porém, me deixaram mal-acostumado (Dark Knight e Watchmen, I’m looking DIRECTLY at you both). No meio dessas contradições, fiquei confuso. Mal cheguei a olhar o trailer. Lia apenas rumores, ouvia apenas James Cameron falar que mudaria a maneira de ver e fazer cinema. Uma frase muitas vezes dita, e muitas vezes colocada a xeque. A boca de quem ela fora proferida até então pela última vez, porém, não era qualquer uma. A boca era do homem que até hoje ostenta a maior bilheteria acumulada de todos os tempos. É dele o filme que faz qualquer ser humano dotado de uma genitália feminina (e de vários com masculina) debruçarem-se em lágrimas. James Cameron, o homem que trouxe a nós, nerds, O Exterminador do Futuro (e sua sensacional sequência).
Avatar estreiou dia 18 nos cinemas de todo o mundo, e a crítica entrou em frisson. A Veja disse que Cameron tentava ser Deus com seu novo mundo. O G1 afirmou que Cameron conseguia tocar em assuntos ambientalistas sem ser ecochato. Até minha última consulta (fim de noite na segunda-feira do dia 21/12/09), o Rotten Tomatoes havia acumulado 134 críticas positivas e apenas 34 negativas acerca do filme. No Twitter, as opiniões dividem. Vão de “filme épico”, “sensacional”, até “lixo cinematográfico” (créditos a @gridlockd, e a @leonardude pela pergunta que originou o post (“ou será uma obra-prima, ou um lixo cinematográfico)). Eu tive a chance de assistir Avatar no Bourbon Shopping, local que detém, junto com o Palladium Shopping Center (em Curitiba), as únicas salas Imax do Brasil. O que, na visão do Artilheiro que vos escreve, é o filme? É o que você lerá a seguir.
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A humanidade esgotou os recursos da Terra. Não há mais verde no planeta. O homem precisa, então, buscar uma fonte nova para sua sobrevivência. Obviamente, porém, a ganância sempre fala mais alto. Viver usando máscaras não deve ser um grande problema, contanto que o dinheiro esteja circulando no mundo. E é com esse intuito que o homem chega a Pandora, um planeta similar à Terra em sua heterogeneidade de espécies, verde e água; a diferença gritante de Pandora e da Terra são duas:
- Não há oxigênio em Pandora. Sem máscaras, a superfície do planeta é mortal.
- Pandora é habitada por seres completamente diferentes de qualquer outra coisa que o ser humano já viu: Seres azuis, similares a felinos, com cerca de 3 metros de altura. Os Na’vi, povo com sua própria cultura, dialeto e sotaque (os dois últimos, criados especialmente para o filme, por um linguista contratado por Cameron)
Os nativos do planeta, ao depararem-se com os forasteiros, lhes dão o apelido de “Povo dos Céus”. Mal sabem eles, porém, que a intenção do Povo dos Céus não é nada celestial (com o perdão do péssimo trocadilho).
Em meio aos terráqueos que participam da operação em Pandora, encontra-se Jake Sully (Sam Worthington, que ainda não me provou ser um ótimo ator, mas tá no caminho certo), ex-marine que é chamado por ter um irmão-gêmeo que participava do programa Avatar, uma operação que transporta sua mente para uma réplica exata de um dos Na’vi (exatamente por isso o nome Avatar; o corpo mantém-se preso em uma cápsula, enquanto a mente controla o Na’vi criado em laboratório, graças a amostras de DNA). Por ter a cadéia de DNA similar à do irmão, Jake é o “encaixe” perfeito para o Avatar. Pelo menos é nisso que a Dra. Grace Augustine (a figurinha repetida e garantida nos filmes de Cameron Sigourney Weaver) tem que acreditar, já que não há outra escolha. Para ela, apesar de tudo, seria melhor não ter escolha alguma. Os Marines, fuzileiros navais norte-americanos, em Pandora são apenas caçadores de recompensa sem moral e juízo, trabalhando apenas pelo dinheiro e pelo prazer de disparar um gatilho. Jake, porém, é diferente. Devido à um ferimento de combate, teve as pernas inutilizadas e locomove-se apenas em uma cadeira de rodas. É desnecessário dizer como soa vantajosa para Jake a oportunidade de dominar um corpo com a capacidade de simplesmente levantar-se e correr.
É a missão de Jake, junto com cientistas, simplesmente coletar amostras da flora completamente convidativa de Pandora. Não é isso, porém, que os militares querem. Liderados pelo Coronel Miles Quaritch (Stephen Lang, cuja atuação mostra-se boa pelo desejo irreversível de entrar no filme e matar o personagem com as próprias mãos), o único objetivo dos forasteiros munidos de armas e escavadeiras é obter um recurso milionário e inédito: O “unobtanium” (em português claro, “o impossível de se obter”), cuja maior reserva encontra-se justamente abaixo da “casa” dos Na’vi: Uma árvore gigante (Nota do Editor: Gigante means gigante mesmo) que abriga um dos clãs principais dos felinos. E, antes que os artilheiros perguntem: Sim, existem diversos clãs por Pandora. James Cameron decidiu criar seu próprio universo, e o fez. Assistindo o filme, você sente que Pandora é muito mais do que aquilo visto durante as 2h40min (que simplesmente voam na frente do seu nariz, e você não percebe).
Jake conhece Neiriti (a substituível Zoe Saldana), Na’vi filha do chefe do clã “principal” das criaturas, e com ela aprende a tornar-se “um deles”. O dilema de Jake – auxiliar os cientistas ou fornecer informações aos militares? – torna-se mais complicado ainda quando o marine percebe a complexidade e beleza da cultura daquele povo.
Depois de tanto escrever, porém, fico inquietante e chego à pergunta final: O filme é bom?
Primeiro precisei chegar à definição de bom. O google me ajudou.
que corresponde plenamente ao que é exigido, desejado ou esperado quanto à sua natureza, adequação, função, eficácia, funcionamento etc. …
O que foi exigido de Avatar? Revolução. O que foi desejado? Uma experiência inovadora. O que foi esperado? Provavelmente uma bilheteria arrasadora.
Sem sombra de dúvidas, posso dizer que Cameron consegue alcançar os 3 quesitos e falhar em 2, dependendo de 2 situações. As situações são as seguintes: Assistir o filme em Imax 3D e assistir o filme numa sala convencional de cinema. Na primeira experiência (aquela que o artilheiro em questão passou), Avatar é incrível. Os efeitos em 3D são sensacionais, a tela gigante do Imax impressiona, a beleza do planeta, das plantas, dos animais, dos próprios Na’vi faz o queixo cair. Numa sala daquelas, tudo fica mais bonito e atrativo. A questão é: No Brasil, existem apenas 2 salas de Imax. O que pode ser extraído do filme em uma ida normal ao cinema?
O G1 acertou. Cameron tocou no assunto de ambientalismo, e não conseguiu me irritar (Nota do Editor: Acreditem, isso é muito difícil. Qualquer ecopapo já me deixa nos nervos). Ele inovou na história, e é exatamente por isso que o filme passa tão rápido: Apesar do roteiro não ser tão forte quanto poderia, as situações são todas novas, e isso te faz mergulhar dentro do universo do filme.
Avatar diverte. Te faz refletir, pode até te arrancar algumas lágrimas (como chegou a arrancar de mim); o filme, porém, não é o melhor de todos os tempos. Está longe disso. Junto com Watchmen, é o filme do ano, mas não vai mudar a forma de fazer cinema. Muitos vão odiar Avatar, assim como muitos odiaram Watchmen. Da mesma maneira que eu estou errado em comparar Watchmen com Avatar, quem critica Watchmen por ser um filme “cansativo e chato” sequer pensa que a película é uma adaptação homericamente incrível da HQ de Alan Moore (com as devidas e necessárias alterações para “caber” na sétima arte), e que Avatar dedicou-se mais a deixar queixos caírem por seus efeitos do que fazer queixos caírem pela complexidade da trama.
O Artilheiro Scognamiglio assistiu Avatar (não sei se em 3D ou em uma sala convencional), e a sua opinião será transcrita, sem cortes, abaixo.
SMS. 011-****0436 – Marcel.
19/12/09 18:52
Avatar melhor filme do ano! Chorei e aplaudi. James Cameron calou a boca da crítica de vez, cara.
Depois dessa, nem seria preciso dizer, mas o Artilharia Cultural recomenda Avatar como nunca recomendou outro filme antes. Um conselho? Vá despido de preconceitos, de paradigmas, de #mimimis. Aproveite a sessão e o filme como se você fosse uma criança, pois foi nisso que o filme me transformou: Em alguém que tem a mente transformada numa página em branco, pronto para receber terabytes de informação e imagens. Divirta-se, after all, pois é para isso que o cinema foi feito. Para encantar, divertir e emocionar.
Especial Estréias do Cinema 2010 – Janeiro
Mais um ano se passa. Um ano com algumas estréias gloriosas, filmes sensacionais – como, por exemplo, Watchmen -, e alguns nem tanto (Lua Nova, estou olhando pra você). Se há alguma última expectativa voltada para a telona neste fim de ano, ela resumiu-se em Avatar, o prometido filme de James Cameron. Se ele realmente irá revolucionar a “maneira de fazer cinema”, como disse o diretor do glorioso Exterminador do Futuro 2, ainda não se pode definir. A crítica viu e gostou. Milhões de pessoas assistiram, e o filme já dividiu opiniões. O Artilharia Cultural irá assistir hoje, em IMAX 3D. Enquanto o momento não chega, nós trazemos para vocês uma lista dos grandes filmes que estréiam em 2010, um ano que aparenta ser promissor no cinema. Na parte um desse especial, os principais filmes que pipocarão na telona no primeiro mês do ano.
Janeiro
Daybreakers

Imagine um mundo cujos vampiros não são apenas realidade, mas são a maioria da população. Policiais, políticos… O mundo gira em torno deles e é feito por eles. Em um mundo assim, humanos são caçados e “criados” como gado. O que acontece, porém, quando algo dá errado e os humanos começam a tornar-se uma raça em extinção? Cabe ao hematologista vampiro Edward Dalton (Ethan Hawke) a tentativa de salvar os humanos e os vampiros. Mas, por trás desta trama, existem diversos outros personagens com objetivos muito distintos… E dispostos a tudo para alcançarem-nos.
Trailer:
Estréia: 08 de Janeiro (EUA)
Opinião do Artilheiro: Janeiro começa legal, com um filme de vampiros de verdade (saga Twilight, estou olhando pra você). Ethan Hawke tava meio sumido, finalmente voltou, e o filme promete.
The Book of Eli

Estrelado por Denzel Washington, The Book of Eli traz a história de um homem cuja missão é entregar um livro capaz de restaurar a ordem em um universo pós-apocaliptico. O filme também conta com Gary Oldman e Mila Kunis. A película deve apostar nas cenas de ação e nos cenários repletos de destruição para implacar sucesso.
Trailer:
Estréia: 15 de Janeiro (EUA)
Opinião do Artilheiro: Não sei o porquê, mas esse trailer me deu a mesma sensação de assistir o trailer de O Procurado. Cenas de ação, promessa de ser um “épico” mas que, no final, acaba decepcionando (e muito). Pra essa estréia eu vou com as expectativas baixas. Muito diferente do que acontecerá com o filme abaixo.
Legion

Quando Deus perde a fé na humanidade, o Arcanjo Gabriel (Paul Bettany, marcado – pelo menos para aquele que vos escreve – pela ótima atuação em Coração de Cavaleiro) é enviado à Terra para proteger a única esperança para a salvação humana: Uma mulher que carrega em seu ventre a reencarnação de Jesus Cristo. Dessa vez, não são pragas mundanas que deverão assolar a humanidade: O que Gabriel terá que combater, para salvar os terráqueos, serão… Anjos. Anjos mandados por Deus para aniquilar tudo o que é vivo. No filme também figuram Dennis Quaid e Tyrese Gibson (de Velozes e Furiosos 2 e Corrida Mortal).
Trailer:
Estréia: 22 de Janeiro (EUA), 26 de Março (Brasil)
Opinião do Artilheiro: Paul Bettany, arcanjo Gabriel, apocalipse, batalha entre o bem e o mal (Quem aí lembrou de A Batalha do Apocalipse?). Difícil de dar errado. Se eu pudesse fazer uma aposta pro mês, seria, definitivamente, essa.
No próximo Especial Estréias do Cinema 2010: Aquilo que Taylor Lautner nunca será, outro filme de Leonardo DiCaprio e, outra comédia romântica estrelada por um megaelenco.
Call of Duty: Modern Warfare 2

A indústria dos games cresce exponencialmente. Ignorando crises econômicas e problemas relacionados à pirataria (causados pelas próprias produtoras, que reclamam da pirataria mas, ao invés de abaixarem os preços para combater o seu maior problema, cruzam os braços, mantém os preços altos e continuam a chorar), podemos dizer que a evolução desse ramo chega a ser assustadora. O ramo dos jogos supera até Hollywood. Falando em Hollywood, há de se comentar que os grandes jogos assemelham-se a produções cinematográficas, com enredos repletos de reviravoltas, efeitos especiais incríveis e diálogos sempre cheios de efeito.
Jogos de guerra nem sempre precisaram de histórias complexas. Geralmente, o enredo já se montava sozinho (há uma infinidade de jogos baseados na segunda guerra mundial, por exemplo); sua única necessidade era “viver os acontecimentos”. A própria série Call of Duty utilizou, em alguns títulos, premissas da própria 2ªGM.
Os tempos, como já foi dito, mudaram. A série Call of Duty, também. Muitos devem conhecer – e provavelmente já jogaram muito – o título anterior da série: Modern Warfare. Distanciados da 2ª guerra, a história gira em torno de um país no Oriente Médio que sofre um golpe de estado e vai parar nas mãos de um ditador e sua milícia armada. Cabe então a americanos e ingleses a retaliação ao poderoso e maléfico ditador, antes que catástrofes abalem a paz mundial. No primeiro jogo, você joga como o soldado “Soap”, liderado pelo fanfarrão Capt. Price. O jogo segue um roteiro linear, e a história é desenrolada de uma maneira muitíssimo clara.
Por que eu disse tudo isso? Porque há pouco tempo foi lançado o que, para o escritor que vos digita, o melhor jogo do ano: Call of Duty – Modern Warfare 2. E é dele que vamos falar agora.

A História:
O jogo se passa em 2016. A milícia combatida no jogo anterior foi destruída, mas não pode ser reconstruida. Foram eles os responsáveis pela destruição de uma ogiva nuclear em pleno solo americano. Soap McTavish, o soldado cujo jogador havia encarnado no primeiro jogo, agora é um capitão da Força Aérea. Você encarna, então, o papel de Roach, subordinado direto de Soap. Junto de um grupo de soldados, a missão é clara: Garantir a paz, por qualquer meio necessário.
O Jogo:
A Infinity Ward investiu pesado no jogo como um todo. A variedade de armas é impressionante – eu já terminei o jogo, e tenho certeza que não cheguei a usar todas as armas -. A história passa por reviravoltas típicas de blockbusters hollywoodianos; o enredo é cativante. O game te faz passar por mais uma trama paralela – que envolve os rangers americanos e te coloca na pele de um típico soldado yankee -, o que permite um desenvolvimento ainda maior de cenários heterogêneos (enquanto os rangers atuam nos Estados Unidos, a Task 141 (o grupo especial de Soap e Roach) chega a passar da Rússia para o Rio de Janeiro, e então para um oleoduto no meio do nada. Falando em Rio de Janeiro, aliás, a única falha da Infinity foi ter colocado o nome do “famoso traficante” cujos soldados tem que perseguir de Alejandro Rojas. Os traficantes falam português, o que é um milagre (brasileiros do Hulk, estou olhando para vocês); não custava dar um nome brasileiro para o desgraçado?
Sem mais delongas, Modern Warfare 2 consegue o que poucos jogos fazem: Te grudar na frente do PC até que você consiga terminar o game. Essa, aliás, foi uma das únicas reclamações do público gamer: O jogo, que é dividido em 3 atos, tem a história mais curta (apesar de muito mais profunda) do que o primeiro Modern Warfare. Ainda não tive a chance de experimentar o modo multiplayer, mas sites gabaritados (como o Jovem Nerd e o Judão) já falaram muito bem deste artifício que é sensacional em Modern Warfare e deve ter evoluído muito mais na sua continuação.
O Artilharia Cultural jogou, endoidou e agora recomenda com a força de um Navy Seal o jogo mais FODA do ano: Call of Duty: Modern Warfare 2.
Tropa de Elite

A continuação de Cidade de Deus.
Guerra civil contra o tráfico de drogas na cidade mais perigosa do mundo
Para vocês, leitores que não nasceram na Suécia, é isso que o pôster acima diz. Ignoremos a primeira frase e foquemo-nos na segunda. Acho incrível como, na Suécia, conseguiram falar o que aqui quase ninguém fala: Que vivemos em um conflito de rua. Em uma guerra civil. Este, porém, não é o foco nem o objetivo deste post.
Assisti Tropa de Elite quando o hype estava em seu auge, com o DVD pirata figurando em todos os camelôs possíveis. Em minha escola, porém, ninguém havia assistido. Para evitar complicações judiciais, digamos que, um belo dia, o DVD apareceu dentro do meu aparelho e o botão Play foi automaticamente ativado. O filme começou, e eu estranhei. Continuou, e alguns sorrisos cínicos e sádicos começaram a surgir nos meus lábios. Pela primeira vez eu assistia a um filme que trazia policiais como protagonistas. Um filme que mostrava o dia-a-dia na polícia, o treinamento de uma das unidades especiais mais respeitadas de todas.
Mas… Eles são, de fato, heróis?
Depois de dois anos e meio, encontrei Tropa de Elite na lista dos DVD’s da minha faculdade (nota do autor: em uma faculdade católica, nada melhor que um filme que refere-se à vinda do Papa ao Brasil!) e decidi assistir novamente ao filme, dessa vez mais analiticamente. É incrível como a diferença de idade, mesmo que pouca (16 para 18 anos) consegue influenciar a maneira de assistir um filme. E, sem mais delongas… Tropa de Elite.

Nas ruas do Rio, apenas a Elite sobrevive.
O cenário é o típico da maioria dos filmes nacionais: Favela. Pobreza, marginalidade, drogas, um Estado dentro de outro Estado. Outras leis, outros governantes. No meio de toda essa selva, a polícia militar não tem nome. Não impõe respeito, e muitos acabam aliando-se aos próprios traficantes para conseguirem seu sustento. Em meio à corrupção e falcatruas, existe uma polícia que não se omite. Que não se corrompe. Que vai para a guerra. É o Batalhão de Operações Especiais. Bope. A Tropa de Elite carioca.
O ano é 1997. Capitão Nascimento (Wagner Moura, psicologicamente irreconhecível) decide sair do comando de seu batalhão. Para isso, porém, precisa encontrar um substituto à sua altura. No meio de toda essa história, entrelaçam-se as epopéias de Matias (André Ramiro) e Neto (Caio Junqueira), dois policiais militares que chegaram onde chegaram por motivos diferentes, mas por ideais iguais. A história deles encontra-se com a do Bope quando, depois de entender como funciona o sistema corrupto da polícia, tentam salvar um superior que corria risco de ser entregue a traficantes. Os dois policiais mal-preparados acabam colocando suas próprias vidas em risco, e são salvos pelo Bope.
Como a história termina, todos nós já sabemos. A questão colocada anteriormente e repetida agora é: Os policiais do Bope são heróis? Métodos de tortura são aceitáveis para fins que poderão salvar inocentes? A droga financia o tráfico e aquele baseado que o universitário fuma resume-se ao futuro de uma criança sendo entregue ao tráfico? Quem poupa o lobo sacrifica a ovelha?
O assunto é extenso e complexo. E agora é com você, leitor. A munição você já tem: Basta atirar. O campo de treinamento? Nossos comentários. As mais diversas opiniões são bem vindas, e que o debate comece.
Nota: 7,5
Título Original: Tropa de Elite
Lançamento: 2007 (Brasil)
Direção: José Padilha
Duração: 118 min
Elenco: Wagner Moura, Caio Junqueira, André Ramiro, Milhem Cortaz, Fernanda Machado, Fernanda de Freitas, Maria Ribeiro, Fábio Lago
Queremos você!

O Artilharia Cultural nasceu com o intuito de informar e de servir como referência para o público que se interessa pelos mais variados temas relacionados a cultura pop em geral. Cientes disso, temos noção e ciência que nossa missão é a de oferecer não só o máximo de conteúdo que conseguirmos, mas também o de maior qualidade. Todos nós sabemos que não basta apenas quantidade: Mais que isso, todo bom-público preza por qualidade.
Nossa missão é a de oferecer-lhes munição para a guerra cultural que se trava todos os dias (como bem metaforizado pelo artilheiro Scognamiglio). É a de fornecer conteúdo para mentes que estão em ebulição, fervilhando em busca de auto-aperfeiçoamento e de evolução. É exatamente por esse motivo que o Artilharia Cultural está passando por mudanças. À medida que a idéia cresce é preciso aumentar a casa, reforçar as estruturas e as paredes para que cresça mais.
Portanto, durante um curto período de tempo (curto mesmo), o ritmo tende a diminuir. A explicação deste hiato é muito simples: Quando o Artilharia Cultural voltar, ele contará com novidades, estréias e muito, muito mais interatividade.
Para que tudo isso aconteça da melhor forma possível, precisamos de você. Como já dito anteriormente, este blog não é nada sem vocês, leitores. A munição não pode se acumular e enferrujar: Ela precisa estar em constante uso, precisa passar de mão em mão – neste caso, de olhos por olhos, cliques por cliques -. Ela precisa ficar tão quente e tão urgente quanto a nossa vontade de criar e de aprender com vocês, que fazem deste blog um lugar único para escrever sobre música, cinema, literatura, games e o que mais interessar a vocês e a nós. Entre em contato, jovem artilheiro e artilheira. Através de nossos comentários, de nossos e-mails, de nossos twitters… Não se acanhem. Apenas imaginem que é um orgulho e um prazer saber que estamos sendo lidos por cada um de vocês.
Preparem suas armas, guerreiros. Porque a guerra está para ficar mais interessante e disputada do que nunca.
Lucas Baranyi:
E-mail: lucas.baranyi@gmail.com
Marcel Scognamiglio
E-mail: marcel.baka@gmail.com
Watchmen

Aviso: Se você assistiu Watchmen sem ter lido os quadrinhos, muito provavelmente sua concepção é que esse filme é um dos piores de todos os tempos. Tome muito cuidado, porém, com essa afirmação. Watchmen é a única história em quadrinhos a figurar na lista dos 100 melhores romances da revista Time. A única HQ detentora de uma honraria no aclamado Prêmio Hugo (referente à literatura de ficção científica). Estamos falando, aqui, de uma das histórias mais aclamadas e respeitadas de todos os tempos, escrita por ninguém menos que Alan Moore, o mago dos quadrinhos.
Agora que a obra já lhes foi brevemente resumida (afinal de contas, o Artilharia Cultural necessita de um post especial sobre a HQ, futuramente), falemos do filme.
Depois de muitas reclamações provenientes de um público acostumado a desastres “quadrinhológicos” referentes à obra de Alan Moore (eu ouvi alguém falar “Liga Extraordinária” ou foi impressão?), tudo parecia dar certo. Os trailers eram impactantes, os personagens estavam bem caracterizados (muito bem caracterizados, eu diria); até quem não conhecia a obra começou a correr atrás. O dia 06/03 chegou, e…
Eu só havia aplaudido um filme no cinema, durante toda minha jornada nerd. Este filme havia sido Batman: O Cavaleiro das Trevas. Lembro-me bem de levantar-me da cadeira assim que a bat-kawasaki sumiu de cena, para então – junto de muitos outros nerds – ovacionar o melhor filme de super-herói de todos os tempos.
Qual foi a minha reação com Watchmen, vocês perguntam. E a minha resposta é simples: Eu fiquei sentado. Em silêncio. Estático. Alguns batiam palmas, outros gritavam, comentavam entre si, xingavam (acreditando que a obra havia sido mal-adaptada e esquecendo de, ahm… Do Inferno?). E eu estava estático. Eu havia visto ali, diante dos meus olhos, nas aproximadamente duas horas e quarenta minutos que passaram voando… Um filme que tornar-se-ia um dos meus favoritos de todos os tempos.
O filme tem início com uma sequência genial de abertura. Bob Dylan canta The Times They Are A-Changin enquanto um breve resumo da história passa diante dos nossos olhos. Os heróis nos são apresentados, e diversos acontecimentos retratados. O Artilharia Cultural, porém, traz agora as referências que você pode não ter percebido.
Nota do Editor: Todos os vídeos dos créditos iniciais não podem ser incorporados em páginas fora do youtube. Basta clicar aqui, porém, para assistí-lo direto do player de vídeo.
0:10: O Coruja impede um assaltante naquilo que parece ser a saída dos fundos de um teatro. Podemos ver um casal de alta-classe ao fundo. Até aí, isso não nos diz muita coisa. Olhe ao fundo, porém. No canto direito, podemos ver diversos cartazes da Edição #1 do Batman. Alan Moore nos joga na cara que o querido Coruja impediu a existência do homem-morcego.
0:57: Silk Spectre, uma das heroínas, aparece desenhada no Enola Gay (avião utilizado para lançar a bomba atômica em Hiroshima, na 2ª Guerra Mundial).
1:13: É retratada de uma maneira, digamos, diferente (e melhor, na vã opinião deste que vos escreve) a clássica foto de um soldado beijando uma enfermeira ao fim da segunda guerra mundial.
1:34: Duas palavras: Pão e vinho.
3:50: Sim. É ele.
4:16: Andy Warhol. Por que Marilyn quando temos Coruja?
4:48: Quem seriam os ilustres rapazes à esquerda do vídeo? Dizem que um deles tem relação com umas aranhas provenientes de Marte.
Watchmen é a história de um grupo de Super-Heróis cujo único herói com reais poderes é Dr. Manhattan, um ser onisciente e onipotente que tem a capacidade de prever o futuro. Este nasce graças a um acidente ocorrido com Jon Osterman (vivido pelo mediano Billy Crudup), um físico que fica preso em meio à uma experiência com átomos e tem o corpo completamente modificado. Ao seu lado, diversos heróis sem poderes. Vigilantes, pessoas que fantasiam-se e fazem justiça com as próprias mãos. A população revolta-se com isso, e o governo os proíbe. Ironicamente, porém, Dr. Manhattan continua trabalhando para o governo. O próprio Coruja (interpretado por Patrick Wilson) tem sua importância. A relação heterogênea entre os heróis – adicionando um renegado (Rorschach) na fórmula, uma mulher (Silk Spectre) ,um herói megalomaníaco e – para ser educado – excêntrico (Ozzymandias), além daquele que, para muitos, é o herói mais controverso e interessante da trama: O Comediante (o sensacional Jeffrey Dean Morgan) – é mais um diferencial na história. Eles não são apenas diferentes porque usam roupas diferentes. Suas mentes são diferentes. A maneira que enxergam a palavra “herói” e o mundo ao seu redor difere. E é isso que torna a graphic novel tão importante e tão inovadora.
A verdade nua e crua é que eu poderia passar horas dissertando sobre cada um dos personagens e sua importância na trama… Mas a questão é simples: Vocês precisam conferir pessoalmente. Precisam passar pela mesma experiência que eu passei, seja antes ou depois de ler a graphic novel. Precisam se encantar com a imperfeição dos personagens, de seus erros, falhas e virtudes. Por mais que muitos fãs incrédulos e xiitas possam
Watchmen enquadra-se no tipo de filme que precisa ser assistido mais de uma vez. E a cada vez que a história passa por nós, ela torna-se mais significante e ganha mais significado. Torna-se mais clara e mais bela, com detalhes riquíssimos sendo revelados conforme nossa mente se acostuma à película. Mais que o Artilharia Cultural, mas este que vos escreve recomenda Watchmen com a garantia de não-arrependimento. Diversão garantida, ou não precisam voltar aqui tão cedo.
Nota: 10
Título Original: Watchmen
Lançamento: 2009 (EUA)
Direção: Zack Snyder
Duração: 162 min
Elenco: Malin Akerman, Billy Crudup, Matthew Goode, Jackie Earle Haley, Jeffrey Dean Morgan, Carla Gugino, Patrick Wilson.
Gênero: Ficção/Ação.